The Warriors: a verdadeira história sobre gangues

The Warriors

The Warriors é um filme cult dos anos 70 que é referência na cultura hip-hop e também na cultura pop. Inspirado no livro homônimo de Sol Yurick, The Warriors levou para os cinemas a cultura das gangues dos subúrbios de Nova York.

Após serem acusados injustamente de matarem Cyrus, líder da maior gangue da cidade, após um encontro com todas as gangues da região, os Warriors devem correr dezenas de quilômetros, passando por diversas estações de trem e territórios para chegarem sãos e salvos em sua área, Coney Island.

Como se trata de um livro-que-virou-filme-que-virou-game, vou comentar sobre a obra no geral ok? Se preparem que esse post só tem coisa boa!

O livro

Sol Yurick

The Warriors é uma novela escrita em 1965 por Sol Yurick. Inspirado por Anábase, obra militar escrita por Xenofonte na Grécia Antiga, Yurick fez uma analogia entre os soldados gregos que marchavam de volta para Grécia com os jovens deliquentes que conheceu na época em que trabalhou como assistente social. Esse jovens faziam parte de gangues e Yurick viu uma certa semelhança entre eles e os soldados gregos.

The Warriors Book

O livro conta a história da gangue Dominators, também de Coney Island, que estão prestes a comparecer ao grande encontro promovido pelo líder dos Tronos de Delancey, Ismael Rivera.  A proposta do encontro é apaziguar a rivalidade entre todas as gangues da região e unificá-las com o propósito de dominar a cidade. Fora esse pedaço o livro segue uma direção bem diferente do filme, apesar de alguns acontecimentos nos lembrarem imediatamente de certas cenas. Os membros da gangue são outros também, mas é inevitável alguns deles não nos lembrarem certo Warriors por conta da personalidade.

A história é bem mais pesada em seus acontecimentos, retratando bem o comportamento de uma gangue. Violência a troco de nada ou pouca coisa apenas para fazer fama ou ganhar respeito através do medo. A parte psicológica também é bem explorada, jogando luz sobre as motivações do porquê fazer parte de uma gangue e quais os reais desejos, anseios e medos de cada integrante.

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Em 2015 a Darkside Books lançou o livro aqui no Brasil, até então inédito. A capa é exatamente o emblema do colete dos Warriors e dentro do livro temos uma arte com o mapa do metrô de Noya York. Também há uma entrevista de Yurick explicando como foi o processo criativo para escrever a obra e suas impressões quando lançaram o filme em 1979. Vale cada centavo.

O Filme

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Lançado em 1979 e dirigido por Walter Hill, The Warriors é marcado por retratar a cultura das gangues quanto aos seus códigos de vestimenta, território e a lealdade e função de cada membro. A repercussão do filme foi tanta que em seu lançamento foram noticiados atos de vandalismo, além de um homicídio. Hill destacou em uma entrevista que tais acontecimentos ocorreram por conta de membros de gangues diferentes se trombarem nas sessões de cinema, aí já viram né?

The Warriors Cunaxa

O filme tem uma proposta mais direta e acaba respeitando o conceito original de Sol Yurick, que se inspirou em Anábase: Os Warriors devem voltar  para casa cruzando diversos territórios inimigos. Há uma resmasterização do filme em que a cena inicial conta um pouco sobre a Batalha de Cunaxa, parte da obra de Xenofonte.

The Warriors Cyrus

Outra referência de Anábase é o personagem Cyrus, líder da gangue Gramercy Riffs. No livro, Cyrus é na verdade Ismael Rivera, personagem claramente latino (bem provável que seja porto riquenho). No caso do porquê Ismael ter virado Cyrus no filme claramente é uma referência a Ciro, o Jovem, príncipe persa que contrata o Exército dos Dez Mil afim de tomar o império persa de seu próprio irmão.

O Game

The Warriors PS2

Em 2005 a Rockstar Games, produtora de grandes jogos como Grand Theft Auto, Max Payne, entre outros lançou The Warriors  exclusivamente para Playstation 2 e mais tarde para PSP e Xbox. Recentemente foi lançado também para download no PS4. O game conta a história do filme um pouco antes do grande encontro, estendendo-a bastante e mostrando como a gangue foi criada e como os principais membros entraram nela. Também é dada uma atenção maior para com as outras gangues, com mais riqueza de detalhes sobre seus membros e rivalidades.

The Warriors PS4

Para quem apenas assistiu o filme a violência do jogo chega a ser excessiva, passando um pouco da conta. Depois de ter lido o livro eu achei ela bem acertada não apenas porque é um jogo da Rockstar, mas um game sobre gangues que honra a atmosfera do livro. Também é mesclado alguns elementos de outros games da produtora, como Manhunt e até mesmo GTA San Andreas.

The Warriors Clubhouse

Como citei anteriormente a história do game expande o universo do filme. Por conta disso vemos um protagonismo maior por parte de Cleon, líder dos Warriors e de como ele fundou o grupo ao lado de Vermin. Também conhecemos a sede da gangue, que funciona como savepoint. No livro de Yurick os Dominators também tem a sua própria sede, graças aos esforços de um assistente social que atua como guardião do grupo. Acredito que os Warriors terem uma sede no game representa também esse detalhe do livro.

Origens e cultura hip-hop

rubble kings

De letras de música a campeonatos de break, The Warriors teve uma grande influência na cultura hip-hop e na cultura pop. Frases como “Can you dig it?” ou “Come out to play” se tornaram famosas e são usados nos mais diversos lugares, como em letras de rap e até mesmo games.

Em 2015 foi lançado o documentário Rubble Kings, que explica as origens das gangues das periferias de Noya York em todo o seu contexto social e cultural. Contado sob a perspectiva de “Yellow” Benjy Melendez e Carlos “Karate Charlie” Suarez, fundadores da Ghetto Brother, umas das maiores gangues da época, eles explicam como um desastroso projeto urbano no sul do Bronx, assim como o assassinato de figuras históricas como Marthin Luther King, Malcom X e John F. Kennedy, contribuíram com a onda de violência que marcou os anos 70. Também são convidados membros de outras gangues para contar sobre os fatos da época, enriquecendo ainda mais o documentário.

Hells Angels2

Também é explicado o conceito dos uniformes das gangues. A ideia foi copiada basicamente dos Hells Angels, clube de motociclistas surgido na década de 50. Agora sim faz sentido os uniformes dos Warriors lembrarem tanto o de um clube de motocicletas não?

Yellow Benji

Através da influência que os Ghetto Brothers tinham na época, o grupo procurou promover a paz entre as gangues prezando a união e promovendo-a através da música. Tais acontecimentos junto com outras tendências e figuras como o Dj Kool Herc, culminaram na criação do movimento hip-hop, promovendo a paz, união, amor e diversão.

Ghetto Brother Uma Lenda do Bronx

Em 2016 a editora Veneta lançou a HQ “Ghetto Brother – Uma Lenda do Bronx”, contando a história do grupo de quando eles estavam prestes a promover um banho de sangue na cidade, em retaliação a um de seus membros que foi covardemente assassinado. Infelizmente não tive a chance de ler ainda.

Como citei anteriormente, dezenas de letras de músicas fazem referência ao filme The Warriors. Alguns bons exemplos são “California Love” de 2pac, com um discurso estio Cyrus no videoclipe ou o som “Shame on a Nigga” do Wu Tang Clan.

Também existe um evento anual de hip-hop na Holanda chamado  The Notorius IBE . Em algumas edições o evento promovia batalhas de break entre os melhores bboys de cada continente, formando supertimes e antes de iniciar algumas batalhas os mcs faziam uso da tão famosa frase de Cyrus:

The Warriors atualmente

Em 2015 a Rolling Stone produziu uma matéria bem legal sobre os “Guerreiros” visitando o evento “The Warriors Festival”, mostrando um pouco sobre como o filme impactou a cultura local de Coney Island, além de fazer um reencontro com a gangue para revisitar alguns cenários do filme. Infelizmente não foi possível reunir todos os membros como Snow (Brian Tyler) e Ajax (James Remar), tampouco Rebramdt (Marcelino Sánchez) que faleceu em 1986. James Remar, ou Ajax,  foi o que mais vingou como ator aliás, fazendo papéis em filmes como Django Livre e no seriado Dexter.

Vocês podem conferir a matéria da Rolling Stone neste link (não consegui incorporar, me perdoem): http://www.rollingstone.com/movies/news/watch-the-warriors-recreate-their-last-subway-ride-home-20150923

Papo Furado

E assim termina mais uma postagem galera. Confesso que essa foi uma das que eu mais me diverti escrevendo. Gosto bastante da cultura hip-hop e The Warriors é um dos meus filmes favoritos. Recentemente anunciaram que vão fazer um seriado exclusivo pro serviço de streaming Hulu. Sinceramente tô bem com o pé atrás e vocês?

De qualquer forma espero que tenham gostado e mandem sugestões para mim! Um abração e até a próxima!

Spec Ops e o Coração das Trevas

Spec Ops capa

Spec Ops: The Line é o tipo de jogo que não se destaca por sua jogabilidade fluída ou gráficos primorosos. Simplesmente nos envolve em uma trama cheia de mistérios, dilemas e surpresas. Produzido pela Yage Development e publicado pela 2k Games, The Line é um game de tiro em terceira pessoa lançado em 2012. Apesar de ser o décimo primeiro jogo da série, nada tem a ver com os outros games da franquia.

joseph conrad

Inspirado no romance “O Coração das Trevas”, escrito por Joseph Konrad e publicado em 1899, The Line nos joga em uma narrativa semelhante a este livro, repleto de questionamentos e dúvidas sobre o que é certo e errado, enquanto nos aprofundamos cada vez mais em nossa missão e inevitavelmente nossas próprias reflexões.

Outra obra que também bebeu da mesma fonte foi o filme “Apocalypse Now”, dirigido por Francis Copolla e lançado em 1979, considerado pela crítica como um dos melhores filmes de todos os tempos.

apocalypse now

Vou fazer algumas comparações entre as três obras para esclarecer melhor a história de The Line. Recomendo que tenha zerado o game pois vou entregar boa parte dos acontecimentos e a proposta do game é deixar você só descobrir ao decorrer do jogo. Também recomendo assistir Apocalypse Now para que consiga absorver  melhor o texto, fora o fato de que ele dá uma boa ilustrada para com o livro de Joseph Conrad.

É interessante ler o livro também pois vão conseguir enxergar algumas semelhanças com o jogo e com o filme de Copolla. Já aviso de antemão que é uma obra difícil de ler dada a sua linguagem e um dos motivos que me fizeram demorar a escrever sobre The Line.

Personagens principais e suas semelhanças

Spec Ops Walker

Em Spec Ops: The Line fazemos o papel do capitão Martin Walker, acompanhado do sargento John Lugo e do tenente Alphanso Adams, compondo o esquadrão Delta Force. Eles tem a missão de encontrar e se possível resgatar a 33ª tropa, dada como desaparecida em uma missão em Dubai, Emirados Árabes, após uma tempestade de areia.  A tropa estava no comando do coronel John Konrad, militar condecoradíssimo que salvou a vida de Walker em uma outra missão em Cabul.

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De início já temos as influências de Coração das Trevas e de Apocalypse Now: no livro de Conrad acompanhamos a trajetória de Charles Marlow, capitão de um barco belga que tem o ofício de levar uma carga de marfim para o continente africano, mais especificamente no  Rio Congo.

Marlow também tem a missão de “resgatar” Kurtz, um chefe de posto da empresa em que ambos trabalham de volta para casa, para a civilização. É dito que Kurtz enloqueceu e fez amizade com os nativos, sendo idolatrado por eles.

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Em Apocalypse Now acompanhamos a trajetória de Benjamin L. Willard, capitão do Exército Americano e veterano das Operações Especiais, requisitado para uma missão secreta: se emaranhar em plena Guerra do Vietnã e adentrar para o Rio Nung no Camboja para assassinar o Coronel Walter E. Kurtz, considerado um desertor e que estava vivendo entre os nativos, comandando a sua própria tropa.

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O ponto de partida é o mesmo nas três histórias: homens com a missão de encontrar um completo desconhecido mas ao mesmo tempo famoso por seus feitos e condecorações. Konrad em The Line, Kurtz em O Coração das Trevas e o outro Kurtz em Apocalypse Now. No caso de The Line, Konrad não chega a ser um completo desconhecido já que ele salvou a vida de Walker em uma outra missão.

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Para reforçar o óbvio é nítida a influência dos nomes nos personagens. John Konrad é claramente inspirado no autor Joseph Conrad e acredito que a troca da letra C pela K no sobrenome tenha a ver com o personagem Kurtz do livro, homônimo do Coronel de Apocalypse Now.

Narrativa de The Line

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Em The Line, logo no início temos a missão de procurar a 33ª tropa comandada por Konrad, que voltava de uma missão no Afeganistão e que voluntariamente se propôs a evacuar a cidade de Dubai. Konrad recebeu ordens de seus superiores para abandonar Dubai e ele não obedeceu. Pouco tempo depois uma forte tempestade de areia  acabou com a cidade, tornando a evacuação impossível. Konrad fez uma segunda tentativa de evacuação, porém o plano fracassou e resultou na morte de milhares de pessoas entre civis e soldados.

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Tal acontecimento dividiu a tropa de Konrad em duas, The Damned e The Exiles (Os Amaldiçoados e Os Refugiados), causando uma “guerra civil”. The Damned eram os soldados que se manteram fiéis a Konrad, vencendo a guerra contra os Exiles, que foram os soldados que se revoltaram com a falha monstruosa de seu ex-comandante.

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Com todos esses acontecimentos, o pânico e o caos se instalaram entre a população árabe e a tropa de Konrad se viu obrigada a aplicar a lei marcial, que é quando os militares ditam as leis e fazem o papel do Estado. Eles também deixaram expostos os corpos dos Exilados afim de evitar futuras insurreições e revoltas.

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Para complicar ainda mais, um pequeno time da CIA chamado Grey Fox, tem a missão de investigar o que aconteceu com a 33ª tropa e apagar todos os seus vestígios. Tal time também formou um comando armado composto pelos árabes chamado “Refugees” (Refugiados), que em um primeiro momento confunde o time de Walker com a 33ª tropa, abrindo fogo.

Povos subjugados

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Nas três obras o discurso principal é o racismo e a xenofobia. Homens “civilizados” subjugando homens “selvagens”. Na trajetória dos personagens das três obras eles se deparam com situações parecidas: Marlow de Coração das Trevas vê o povo africano sendo explorado pela companhia belga para que trabalhem cada vez mais para concluir a construção de ferrovias. Por conta da total falta de fiscalização e desencontro de informações, além de uma boa dose de burocracia, diversos excessos ocorrem  das quais resultam em escravidão e genocídio do povo negro.

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Francis Coppola em Apocalypse Now acaba trazendo o mesmo discurso que Conrad usou para escrever  O Coração das Trevas. No filme o cenário é a Guerra do Vietnã,  em que Willard vê e descreve o desencontro de informações entre os soldados norte-americanos, além dos abusos cometido por eles com o povo vietnamita.

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Em The Line essa mesma proposta também é aplicada, porém de forma mais contemporânea e com uma ótima jogada. O povo árabe é o subjugado e o palco da narrativa é Dubai. Atualmente os árabes sofrem grande preconceito, por conta de ataques terroristas promovidos por radicais islâmicos em países europeus e nos Estados Unidos, além de diversas outras questões e acontecimentos. Como somos atacados por guerrilheiros árabes logo no início do game, invariavelmente acabamos sendo tomados pelo sentimento de que eles são os vilões do game, mas estes são apenas peões armados por agentes da CIA.

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Dubai é conhecida como uma das cidades mais ricas e desenvolvidas do planeta. Possui uma arquitetura deslumbrante, com estabelecimentos extremamente luxuosos. Imaginar tal cidade devastada por uma tempestade de areia e uma guerra interna, criando uma espécie de distopia foi um toque de mestre. No filme de Coppola e no livro de Conrad, os países explorados eram lugares pouquíssimos desenvolvidos. Em Spec Ops na tese é extremamente o contrário, apesar do lugar se encontrar totalmente devastado.

Influências

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Não só na narrativa que The Line se inspira em O Coração das Trevas e Apocalypse Now, mas também em alguns conceitos. Da metade do jogo em diante o clima da campanha vai ficando mais pesado, com uma atmosfera mais obscura. Walker, Lugo e Adams vão perdendo o humor do início do game e ficando cada vez mais frios e abalados psicologicamente. Seus corpos vão ficando cada vez mais desgastados e seus semblantes mais sombrios, como se estivessem sendo engolidos pelas trevas a medida em que se aprofundam em sua incursão.

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Os combates também vão adquirindo uma atmosfera de caos, com um tom mais apocalíptico. Isso vai se refletindo primeiro nas músicas tocadas (o game possui uma ótima trilha sonora), que vai do clima de ação de Hush de Deep Purple, ao tom dramático das guitarras de Mogwai em Glasgow Mega Snake. Depois, esse caos vai ficando mais nítido visualmente nas batalhas, com tempestades de areia cada vez mais cruéis e batalhas com uma atmosfera maior de trevas.

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Também temos um personagem no game claramente inspirado no fotojornalista de Apocalypse Now: Radioman. Um jornalista que trabalhou com Konrad em uma outra missão e que tem sua total confiança. Radioman debocha de Walker e seus companheiros ao longo das missões, além de tocar músicas dos anos 70 (fazendo uma clara referência a época da Guerra do Vietnã), como The First Vietnamese War de The Black Angels ou Nowhere to Hide de  Martha and The Vandellas.

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O fotojornalista de Apocalypse Now (o personagem não tem nome) é um homem muito próximo de Kurtz, o lendário Coronel. Ao encontrar Willard e seus companheiros ele conta sobre Kurtz como se fosse um homem místico. Exatamente a mesma ideia que temos de Konrad em The Line: Um homem intocável. O fotojornalista também possui uma personalidade um tanto quanto insana, assim como Radioman.

Detalhes extras

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Alguns detalhes da história são dados nas telas de loading, além de algumas dicas sobre armas. Conforme vamos avançando o jogo e a história ficando cada vez mais pesada, essas mesmas telas nos jogam frases que nos fazem refletir e até nos sentir culpados pelos acontecimentos. Achei uma excelente jogada que acaba nos proporcionando uma imersão maior com a história.

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Também temos itens colecionáveis no jogo chamados Intel, ou Inteligência, que são objetos que fornecem  as mais diversas pistas sobre os acontecimentos do jogo. Esse objetos podem ser diários, gravadores e até mesmo pedaços de documentos, que revelam não só as impressões pessoais de Walker, mas de outros personagens, além de seu estado mental e suas motivações. Lembra um pouco os Voxofones de Bioshock Infinite, e é essencial pegar todos para obter detalhes maiores da história.

Papo Furado

Finalmente terminei esse texto sobre Spec Ops. Primeiramente eu dedico esse post ao leitor Vinícius que me deu a sugestão. The Line me surpreendeu e é um ótimo game. Como é um jogo meio confuso de se jogar por conta de não entendermos nada do que se passa no começo, eu demorei um pouco pra zerar. Fora o fato de ter aparecido Life is Strange na frente que me fez deixar  The Line um pouco de lado. Também tiveram uma série de fatores que me fizeram demorar a escrever esse texto e peço desculpas pelo hiatus gigantesco.

No mais é isso galera. Quem não jogou vai conseguir desfrutar melhor, pois já vai compreender os acontecimentos logo de cara (algumas coisas que acontecem eu não revelei então vale a pena) e acredito que quem já zerou vai jogar de novo com outros olhos, assim como eu quando tive a compreensão total da história. São 4 finais possíveis, o que nos dá motivo pra zerar mais de uma vez. Não esqueçam de mandar sugestões, posso demorar mas sempre levo em consideração e prometo não demorar demais na próxima.

Um forte abraço e muito obrigado.

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Life is Strange: Músicas, filmes e outras curiosidades

LIS Max

E ae pessoal faz tempo não? Voltei com esse blog e tô parecendo autor de mangá quando dá aquelas pausas enormes pra continuar desenhando sua obra. De fato um trabalho de qualidade é um tanto quanto cansativo pois envolve pesquisa, tempo e uma boa dose de paciência.

Dessa vez eu tô voltando com Life Is Strange aqui no blog. Como na época que eu escrevi ainda faltavam dois episódios para serem lançados além de alguns assuntos que sobraram, agora eu deixo aqui mais algumas curiosidades e fatos que eu vi no decorrer de todo o game. Vamo que vamo que esse texto tá recheado de coisa boa!

Meat is Murder

meat is still murder

Algo que achei curioso no jogo é um flyer colado no corredor do dormitório feminino sobre um clube vegan. Ele tem os dizeres “Meat is Still Murder”, que siginifica ” Carne ainda é assassinato”. Como o jogo é cheio de referências de cultura pop não pude deixar de não enxergar uma semelhança com um dos álbuns mais vendidos e famosos da banda The Smiths, chamado Meat is Murder.

meat is murder

Alt-J e o Rewind

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Umas das bandas presentes na trilha sonora do jogo é Alt-J com a música Something Good, que abre o segundo episódio do game. Você pode até mesmo acompanhar a música no jogo usando o violão de Max para que ela siga os acordes.

max playing guitar

Um fato muito curioso é que uma das músicas da banda, Breezeblocks, possui um clipe em que a história é contada ao contrário numa espécie de rewind, nos fazendo lembrar do poder de Max. Não sei se esse clipe teve peso na escolha da banda ter entrado na trilha sonora do jogo, mas de qualquer forma é um clipe bem legal e algo bem interessante pra ser comentado.

Warren G

Warren G

Em um e-mail que Warren envia para Max no primeiro episódio ele assina como “Warren G”. Bem provável que tenha sido uma brincadeira dos desenvolvedores (ou do Warren, quem sabe) pois existe um rapper com o mesmo nome. Sabemos que Warren (do jogo) é o clássico nerd: empenhado nos estudos, viciado em séries, filmes e ciência. Bem diferente do rapper da vida real (ou não).
Warren G rapper

Zeitgeist Gallery

Zeitgeist Gallery

O concurso Everyday Heroes em que os alunos são motivados a participar (incluindo Max), é sediado em uma galeria chamada Zeitgeist. Zeitgeist é um termo alemão que significa espírito do tempo. O termo foi criado por volta do século 18 por poetas alemães mas ficou popular graças a Hegel, filósofo também alemão, através de sua obra Filosofia da História. Hegel defendia também que a arte refletia a cultura da época em que ela foi criada.

Zeitgeist Gallery 2

Referências de filmes

Evan Wheelchair

No meu outro post eu já falei que Life Is Strange tem uma boa influência dos dois primeiros filmes da série Efeito Borboleta. No decorrer dos episódios vão surgindo mais algumas semelhanças, como o fato de Max voltar no tempo através de fotografias e as consequências ruins que isto pode trazer, mesmo que seja para consertar erros do passado.

Também vemos  algumas frases de filmes cults sendo usados pelos personagens. No primeiro post eu comentei isso mas dessa vez eu vou deixar aqui identificado quais são esses filmes (pelo menos os que eu percebi):

Scarface – 1983

Filme clássico sobre gângsters que influenciou e influencia várias gerações desde então. Tal frase é dita pelo personagem Tony Montana quando ele, hmm, bota pra f**der.

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O Iluminado (The Shining) – 1980

Filme de terror baseado no livro de Stephen King. Essa cena ocorre quando Danny (o baixinho da foto aí embaixo) numa espécia de transe escreve REDRUM na porta, tentando avisar sua mãe Wendy do perigo iminente. REDRUM é MURDER ao contrário, ou seja, assassinato. O quarto do filme também é o de número 217.

LIS redrum

redrum

Os Selvagens da Noite (The Warriors) – 1979

Outro clássico foda. Rendeu um jogo pra PS2 muito bom aliás. Filme inspirado no romance de Sol Yurick que fala basicamente sobre gangues. Essa frase é dita por Luther da gangue Rogues, perto do final do filme.

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Fúria de Titãs (Clash of The Titans) – 1981/2010

Filme de 1981 que teve um remake em 2010. Tal frase é dita por Zeus quando ele ordena para libertarem o Kraken, um monstro áquatico enorme que irá destruir a humanidade. Max faz um trocadilho com Kra-can, quando ela coloca uma ficha na máquina de refrigerante para pegar uma lata. Can em inglês significa lata.

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Holden Caufield

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O sobrenome Caufield que Max carrega é inspirado no personagem Holden Caulfied, do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger. O livro que tem como personagem principal o próprio Holden é considerado um clássico por retratar a vida de um adolescente sob sua própria perspectiva.

Na verdade os fóruns e wikias da vida dizem que é apenas uma suposição o sobrenome de Max ter vindo de Holden mas o jogo deixa muitas pistas para ser apenas uma hipótese. Aqui eu vou listar algumas.

1 – No quarto de Max tem um pôster escrito “The Winger and the Cow”, que é extremamente parecido com a capa do livro.

 

2 – O boné vermelho e o termo “phony”, ou farsante, usados por Holden.

 

3 – Conversa com Mark Jefferson.

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Essa na verdade é uma teoria minha e acredito que esse diálogo não foi simplesmente jogado por nada. John Lennon foi um dos integrantes do lendário grupo de rock The Beatles. Após o fim da banda, Lennon começou uma carreira solo que fez muito sucesso.

Em 8 de dezembro de 1980 Lennon foi assassinado por Mark Chapman, um “fã” que disparou cinco tiros no cantor, justificando que algumas de suas músicas blasfemavam Deus e os ensinamentos da bíblia. Chapman não negou o crime e também confessou que o livro O Apanhador no Campo de Centeio o inspirou a cometer o homícidio (o que é viagem pura).

Como o sobrenome de Max é inspirado em Holden e como Mark Jefferson cita John Lennon, morto por Chapman que leu o livro, acredito que teve uma certa jogada dos roteiristas em ter colocado esse diálogo. Como se Max e Jefferson fossem antagônicos. Um pouco  vaga essa minha teoria mas bem coerente não?

Papo Furado

Bom galera aqui termina esse meu textão sobre Life is Strange. Tinham até mais algumas curiosidades a serem abordadas mas essas outras eu achei muito vagas para serem colocadas aqui, e  também não ia dar uma parada realmente consistente. Tenho mais alguns posts a serem lançados, além de outros que eu tô devendo e vão sair e é isso.

Me desculpem o hiatus GIGANTE, mas as vezes bate aquele desânimo cruel. Meu intuito é fazer uma parada bem feita, então eu procuro pesquisar e ler bastante primeiro pra manter a qualidade.

Também tenho planos em lançar um canal no Youtube ou buscar até uma parceria, o que acham? Um abração e até a próxima!



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Life is Strange: Teoria do Caos e muita cultura pop

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Faz muuuito tempo que não posto por aqui não é? A verdade é que a minha máquina não é muito potente pra rodar alguns jogos e me faltou bastante assunto/cultura para abordar certos games que eu tinha em mente. A real é que há pouco tempo zerei os três primeiros capítulos de Life is Strange e esse game me deixou muito estimulado para voltar a escrever.

Life is Strange é um jogo de drama interativo desenvolvido pela Dontnod Entertainment e publicado pela Square Enix.  Nós fazemos o papel de Max Caufield, uma geek apaixonada por fotografia que recentemente entrou na Blackwell Academy, uma escola particular que é referência mundial em questão de ensino.

Após alguns minutos de jogo Max descobre que tem o poder de voltar no tempo e com isso alterar todos os acontecimentos a sua volta. Daí então nós entramos em uma trama que irá lidar com diversos dilemas morais e pessoais, cabendo a nós mesmos decidirmos qual rumo a história irá tomar. Como passamos o jogo todo fazendo escolhas isso desencadeia em uma série de acontecimentos e possibilidades para com a história, o que faz o game ser muito atrativo para jogarmos diversas vezes.

Nesse texto vou abordar algumas impressões que tive, fora algumas analogias pessoais ok? Ah e também no momento que terminei esse texto eu joguei até o terceiro episódio, tem uma coisa ou duas que eu queria fazer referência mas fica um spoiler muito grande. A medida que vocês forem jogando vocês irão descobrir e fazer as analogias por si mesmos, beleza?

Efeito Borboleta (Teoria do Caos)

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O Efeito Borboleta é uma das bases da Teoria do Caos que traz a ideia de que o bater de asas de uma borboleta pode causar um tornado do outro lado do planeta. Significa que qualquer acontecimento minúsculo pode alterar completamente o rumo das coisas, inclusive o de nossas próprias vidas.

Há alguns filmes que abordam esse tema, como Efeito Borboleta e Sr. Ninguém (Mr. Nobody), fora uma minisérie de quadrinhos da Liga da Justiça chamada “O Prego” que trabalha com um universo alternativo, em que o casal Jonathan e Martha Kent não acharam e adotaram o pequeno  Kal-El (Superman), que viria a ser Clark Kent, pois eles não saíram para Smallvile porque o pneu da caminhonete de Jonathan estava furado. Por conta disso o futuro da Liga da Justiça é totalmente alterado:

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Max Caufield

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Life is Strange apresenta uma história e ambientação extremamente agradáveis de se jogar. Max é uma jovem que acabou de completar seus 18 anos e com isso acompanhamos suas incertezas quanto ao seu próprio futuro. Como já comentei lá em cima Max é uma “geek-girl” muito ligada a cultura pop, fotografia e música. A trilha sonora em sua maioria é composta por algumas bandas indies com músicas jogadas mais pro folk, que fazem uma belíssima harmonia para com a vibe do game.

O jogo é claramente inspirado no primeiro filme da série Efeito Borboleta. Algumas coisas estão óbvias demais como o fato de Max poder voltar no tempo e sangrar pelo nariz como efeito colateral, fora toda a atmosfera colegial. Outras estão um pouco mais implícitas e que condizem sobre a construção da personagem e que na verdade são analogias pessoais que acabei fazendo.

A primeira delas é sobre o diário de Max. Tá certo que isso é uma prática bastante comum (principalmente entre garotas), mas achei bastante associável com Evan (Ashton Kutcher), personagem principal de Efeito Borboleta que através de seus diários consegue viajar no tempo.

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Outro detalhe é o fato de Max ser fotógrafa e ter um mural cheio de fotos. No primeiro filme de Efeito Borboleta bem perto do final ficamos sabendo que o pai de Evan usava fotografias para voltar no tempo, e Evan quando adolescente achou essa fotos bem por acaso. No segundo filme de Efeito Borboleta (bem ruinzinho por sinal) o personagem principal Nick, utiliza as fotografias para voltar no tempo e tentar melhorar sua vida.

evan

nick

Cultura Pop, referências e suposições

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No game temos diversos filmes e seriados citados, sejam nos diários de Max ou em seus próprios diálogos consigo mesma, fazendo com que os aficcionados em cultura pop abram um largo sorriso. Além disso alguns personagens como Chloe Price e Nathan Prescott parecem ter uma leve influência de personagens de filmes.

Chloe claramente foi inspirada em Emma da HQ-que-depois-virou-filme, Azul é a Cor Mais Quente (La vie D’Adele). O cabelo azul já entrega, fora Chloe muito provavelmente ser gay ou bissexual.

clhoeprice emma

Quanto a Nathan, um dos personagens mais perturbados do jogo, ele me lembrou bastante Tommy do filme Efeito Borboleta (de novo). Os dois são baixinhos, encrenqueiros e toda a sua raiva vem de propósitos familiares.

Nathantommy

Fora os personagens, diálogos e tudo mais temos também um easter egg no jogo muuuito legal. No estacionamento da Blackwell Academy, cada carro tem em sua placa o nome de um seriado abreviado. Vocês podem conferir nesse vídeo aqui:

Papo Furado

Bom galera vou acabando o texto por aqui. Como ainda faltam dois episódios para serem lançados vou dar uma segurada, pois podem vir mais coisas a serem abordadas ou não. De qualquer forma vou fazer uma segunda parte abordando alguns outros assuntos que tenho em mente e também tô aceitando sugestões de games. É só mandar um email pra mim, gabriel.f.sanchez@hotmail.com falando sobre qual game você tem vontade de ver uma resenha e eu vou dar uma pesquisada pra ver se rola.

O intuito desse meu blog é trazer conteúdos originais com impressões totalmente pessoais. É claro que a gente usa uma coisa ou outra como fonte, mas hoje em dia tem muita gente que só copia mesmo, o que é bastante chato. De qualquer forma um grande abraço e até o próximo texto!



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Assassin’s Creed: Um tanto de fantasia mas não muito longe da realidade

assassins creed

“Inspirado em eventos e personagens históricos. Esta obra de ficção foi projetada, desenvolvida e produzida por uma equipe multicultural de diferentes crenças e religiões”.

É assim que sempre se inicia um jogo da série Assassin’s Creed, uma das mais aclamadas franquias dos videogames nos últimos anos. Muito provavelmente para evitar maiores dores de cabeça por parte de governos e instituições religiosas. Assassin’s Creed é uma série conhecida por abordar diversos temas históricos que envolvem bastante política e religião com um enredo bastante original além de ser uma das poucas séries de videogames que a cada jogo lançado consegue manter sua qualidade. Apenas o último game da saga, Black Flag,  já vendeu cerca de 10 milhões de cópias. Se somarmos esse montante com as vendas dos jogos anteriores não fica difícil entender que é um sucesso absoluto.

No primeiro game da saga começamos a jogar com Desmond Miles, um barman que foi sequestrado pela corporação Abstergo. Tal corporação mantém Desmond em cativeiro aos cuidados do doutor Warren Vidic e sua assistente Lucy Stillman. Segundo o dr. Vidic, os antepassados de Desmond foram da Ordem dos Assassinos, grupo que através de suas crenças buscavam a paz com o assassinato de pessoas influentes que poderiam representar alguma ameaça para o povo. Desmond é obrigado a entrar em uma máquina chamada Animus, que o faz reviver seu antepassado Altaïr Ibn-La’Ahad,  membro da Irmandade Levantina dos Assassinos e Mestre Assassino que viveu na Síria no século 12. Desmond é obrigado a reviver seu antepassado com o propósito de Altaïr indicar a localização dos Pedaços do Éden, poderosos artefatos que tem o poder de controlar a mente humana.

Os principais inimigos dos Assassinos são os Templários, organização religiosa e militar e que ao descobrirem os Pedaços do Éden buscam maior poder político e controle sobre a população.

Esse foi um “pequeno” resumo do primeiro jogo da série do qual vou me aprofundar em seus fatos históricos. Então vamo que vamo!

Hassan e a Ordem dos Assassinos

Hassan Sabbah

Muitas pessoas não sabem mas a Ordem dos Assassinos existiu de verdade. Foi uma seita criada por  Hassan Ibn Sabbah para difundir uma nova vertente do Ismaelismo, doutrina religiosa do Oriente Médio. Hassan era conhecido como “O Velho da Montanha”, muito provavelmente por sua base ser em Alamut, fortaleza localizada no Irã que se situava em um penhasco, tornando o seu acesso bastante difícil e estratégico. Hassan também manteve seguidores na Síria e no Iraque a fim de espalhar influência.

Os Assassinos andavam na fortaleza de Alamut vestidos em trajes brancos com um laço vermelho na cintura, exatamente como retratado no game. A diferença é que quando faziam uma investigação em cidades próximas se disfarçavam em meio a multidão adotando outros trajes, no que foi difundido historicamente de que eles preferiam se misturar entre os mendigos, vestindo-se como eles afim de evitar olhares desconfiados. Eles também andavam em grupos de três (como é mostrado no comecinho do jogo) e faziam uso de adagas e veneno. Nem sempre matavam suas vítimas mas as ameaçavam deixando uma adaga com um aviso para que não os contrariassem.

Também circulam algumas informações de que os Assassinos eram tão leais e determinados que há uma história de que Hassan mandou um de seus homens se suicidar afim de impressionar um emir (chefes ou nobres do Oriente Médio), ordem devidamente cumprida. Podemos fazer um paralelo com uma das primeiras cenas do jogo (e uma das mais memoráveis) quando o mestre de Altaïr, Al Mualim diz ao Templário Robert de Sablé que seus homens não temem a morte, pedindo para que alguns deles que pulassem de cima de uma torre, em uma manobra para enganá-lo e fazer com que ele e seus homens caiam numa armadilha. Encontrei a cena legendada e na minha opinião é uma das cenas mais impressionantes dos games:

Templários e as Cruzadas

templários

A Ordem dos Templários foi criada em 1118  pelo francês Hugo de Payens afim de proteger peregrinos que iam para Jerusalém, além de expandir o cristianismo em uma região dominada por muçulmanos. Os Templários são bem famosos e muito provavelmente são conhecido por você (seja numa vaga aula de história ou em um programa do History Channel) sobretudo por causa das Cruzadas, principal assunto que abordam sobre a ordem.

cruz templários

As Cruzadas foram missões militares cristãs em que Cavaleiros Hospitalários e Templários, ambos criados na mesma época, tinham como missão conquistar e ocupar a Terra Santa (Palestina) e Jerusalém, dominada por turcos muçulmanos. Não eram nada mais do que guerras santas, mas receberam esse nome devido ao uniformes dos cavaleiros possuírem uma cruz estampada em seus peitos. Só para lembrar que historicamente ocorreram nove cruzadas e Assassin’s Creed 1 se passa na época da Terceira Cruzada, logo após o sultão Saladino retomar Jerusalém e expulsar os cristãos. O principal comandante da Terceira Cruzada foi Ricardo I ou Ricardo Coração de Leão, Rei da Inglaterra na época (1189) e no game rola uma conspiração entre Templários para com Ricardo para a retomada de Jerusalém.

Nova Ordem Mundial

dólar

A Nova Ordem Mundial é uma teoria conspiratória que prega que diversos eventos históricos foram cuidadosamente planejados por um pequeno grupo secreto de pessoas muito poderosas afim de criar um sistema único de governo, religião e sistema. Uma ideia que visa unir todos os povos mas que também vai contra todo o conceito de liberdade de escolha e democracia.

O teoria mais famosa sobre a Nova Ordem Mundial se refere aos Illuminati, usada para descrever grupos secretos que supostamente estão envolvidos em eventos e assuntos de Estado de diversos países. O nome vem dos Illuminati da Baviera, grupo secreto que surgiu em 1776 na Alemanha por livres-pensadores e nobres e que em sua dissolução  em 1784 foram encontrados documentos que revelavam os planos de seus membros, que era a conquista mundial. Em seus poucos anos de existência os Illuminati conseguiram espalhar sua influência pela Europa devido a algumas alianças e contatos por parte de seus membros, compostos por nobres.

O grupo foi criado pelo professor de lei canónica Adam Weishaupt e pelo barão Adolph von Knigge, da foto abaixo. Repare no símbolo de seu casaco. Seria uma cruz templária? Sou um tanto quanto leigo em História e é apenas um detalhe e visão que compartilho com vocês. Claro que pode não ter nada a ver com nada mas achei coerente jogar esse meu palpite.

Knigge Freiherr

As teorias conspiratórias dizem que o grupo não acabou e veio agindo nas sombras desde então, fundindo-se a grupos mais modernos como a maçonaria,  que prega a fraternidade e prosperidade entre os seus membros. Mas o que isso tem a ver com Assassin’s Creed? Simples. É provável que os Templários tenham sido os precursores dos Illuminati e de um grupo que visava criar a Nova Ordem Mundial.

Voltando agora aos Templários tal grupo em sua origem se situava nas ruínas do Templo de Salomão. É dito historicamente que o grupo achou um tesouro nas ruínas, além de conseguir mais poder por parte de seus simpatizantes com a doação de territórios pela Europa, acumulando riquezas e gerando simpatia e proteção do próprio papa, Inocêncio II na época, declarando que os Templários não deviam obediência a mais ninguém senão ao papa. Ao passar dos anos os demais papas atribuem privilégios ao grupo como isenção de impostos e proteção.

Então em 1307, o Rei Filipe IV de França orquestrou um plano para extinguir os Templários de olho em suas riquezas, acusando-os de heresia e adquirindo todos os bens do grupo. É dito que os Templários e Filipe IV criaram as raízes do sistema bancário, sistema que segundo as teorias conspiratórias faz a sociedade ser controlada através da dívida, e que o símbolo Illuminati consta na nota de um dólar, que é o olho que tudo vê em cima de uma pirâmide. Também é dito que apesar dos Templários terem sido extinguidos nessa época eles vieram agindo secretamente, com o mesmo propósito dos Illuminati.

Em Assassin’s Creed 1 não importa o que Altair faça cada inimigo que ele derruba fala sobre uma certa fraternidade e um “novo mundo” e que ele não tem como parar isso.

abu'l nuquod    William de Montferrat

Origem da palavra “Assassino”

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Há várias explicações para isso mas todas de uma mesma origem: a própria Ordem dos Assassinos. Algumas explicações dizem que a palavra se originou de “Assass” que seriam os fundamentos da fé islâmica. Hassan chamava seus discípulos de Asasyun, que seriam os seguidores desses fundamentos.

Outra fonte diria que veio de “haschichiyun” que significa “fumador de haxixe”. Tal palavra tem sonoridade muita parecida com Asasyun o que historicamente causou confusão por parte de viajantes estrangeiros, sobretudo Marco Polo, famoso explorador italiano que em seus relatos difundiu este termo no Ocidente e que algumas fontes cristãs da época aumentaram mais ainda, relatando que os Assassinos consumiam haxixe antes de executarem suas missões, o que me faz acreditar que essa informação “a mais” era exatamente para denegrir a Ordem. Marco Polo é esse cara barbudo aí da foto só pra lembrar.

Há também uma terceira explicação de que Assassino se originou de Hashashin que seria “seguidor de Hassan”. E também mais uma vez deixo meu palpite e cabe a reflexão de que “assassino” é uma coisa e “homicida” é outra. Muito provavelmente nos dias atuais os dois são sinônimos graças ao desencontro de informações não apuradas e acuradas historicamente.  E quanto a questão do haxixe ela é levemente abordada no jogo em uma conversa de Altair com seu mestre Al Mualim:

assassins creed ervas assassins creed ervas2

Papo Furado

Aqui termina meu texto sobre Assassin’s Creed 1. Fiz por causa de uma sugestão de um amigo e ainda não tinha jogado nenhum da série (afff). Comecei jogando o 2 e vi que o 1 tinham mais coisas a serem abordadas, o que me deixou todo enrolado para pesquisar e escrever esse texto, além do fato de que voltei a trabalhar (uhuul).

Diversas informações decidi mastigar interligando-os pra deixar uma leitura mais fácil de compreender. Como eu pesquisava uma coisa e aparecia outra que tinha a ver ficou esse textão enorme. Também vou tentar não demorar para escrever um próximo texto mas é que preciso de ideias e agora sobretudo falta um pouco de tempo. Espero que curtam e qualquer dúvida, elogio, sugestão ou complemento é só me avisar! Manda um e-mail ou deixa um comentário! Um forte abraço e até a próxima!

A cultura norte-americana em Bioshock Infinite

bioshock infinite

Bioshock Infinite é um game de ação em primeira pessoa e o terceiro da série, desenvolvido pela Irrational Games. Fazemos o papel de Booker Dewitt, um investigador freelancer que aceita o trabalho de buscar uma garota na misteriosa cidade de Columbia e traze-la ao seu contratador em troca da quitação das suas dívidas em jogos.

Quando começamos o game é apenas isso o que sabemos. Cabe ao jogador zerá-lo e se possível coletar todos os Voxofones, uma espécie de vinil com gravações, e ver todos os filmes dos Kinetoscópios. Só te digo uma coisa: Bioshock Infinite é um game que aguça MUITO a curiosidade fazendo você jogá-lo mesmo sem ter ideia do que está acontecendo e porque. Você vai querer fuçar cada canto dos cenários para achar mais Voxofones e Kinetoscópios afim de descobrir um pouco mais sobre o enredo. E cabe dizer que ele é surpreendente e fará você jogar de novo apenas para entender alguns acontecimentos que no primeiro gameplay não tem lógica alguma.

Nesse texto irei falar um pouco sobre o universo do jogo. Praticamente não há spoilers e irei entrar em alguns detalhes sobre o enredo apenas para explicar os temas que eu vou abordar. Nada que comprometa a história para quem não jogou.

A cidade de Columbia e a filosofia norte-americana

columbia

Uma cidade que se mantém no ar devido a física e um pouco de tecnologia, Columbia é uma das ambientações mais bonitas dos videogames. Nela moram apenas as pessoas escolhidas pelo profeta Zachary Comstock, fundador da cidade e principal antagonista do jogo.

O enredo de Bioshock Infinite fala muito sobre os Estados Unidos nos mais diferente temas como política, religião e racismo. Vou pontuar cada um deles e explicá-los de acordo com o jogo.

Tea Party

bioshock politics

O enredo conta com um discurso político tão forte que até mesmo a página oficial no Facebook do Tea Party, movimento político conservador usou a imagem acima, que é uma arte do jogo que ilustra o preconceito racial e a aversão a imigrantes. Só esqueceram de avisar o pessoal do Tea Party que a imagem é uma ironia e satiriza a ideia de preconceito racial e supremacia branca. Ponto para a Irrational Games.

Racismo

bioschock racism

Logo no começo do jogo vemos um casal inter-racial, um homem irlandês e uma mulher negra, prestes a serem humilhados em praça pública. No decorrer da história vemos que os irlandeses e negros também são obrigados a usar banheiros diferentes das pessoas brancas. Uma clara crítica ao racismo nos Estados Unidos que até a década de 60 possuía  leis segregacionistas como a distinção de banheiros por raça e a proibição de casamentos inter-raciais. Quanto ao racismo referente a irlandeses no jogo provavelmente é por conta de serem um dos maiores povos que residem nos Estados Unidos, fora o seu próprio país.

Em Bioshock Infinite para combater o regime de segregação e racismo temos Daisy Fitzroy, personagem que está prestes a começar uma revolução armada liderando o grupo Vox Populi composto por negros e brancos que vivem na miséria. Muito provável que o movimento Vox Populi de Bioshock foi inspirado nos Panteras Negras, partido político da década de 60 que através da luta armada procurava buscar direitos iguais para os negros na chamada América Branca.

Panteras-Negras     daisy fitzroy vox populi                              

Uma pequena curiosidade também é um dos inimigos do jogo, o Patriota, um robô criado pelos Fundadores de Columbia para defender a cidade. Há três versões do inimigo. Duas versões criadas pelo Fundadores, uma com o rosto do líder Zachary Comstock e outra com o rosto de George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos e tido como o “Pai da Nação” por ser um dos fundadores do país. A outra versão vem da Vox Populi com o rosto de Abraham Lincoln, 16º presidente e  responsável pela abolição da escravidão nos Estados Unidos.

patriot washington     patriot lincoln

Destino Manifesto

columbia destino manifesto

Desde as suas origens os Estados Unidos tinham o conceito de ser um povo superior. Isso pode ser explicado pelo Destino Manifesto que é o pensamento de que o povo dos Estados Unidos foi eleito por Deus para civilizar a América. Tal pensamento foi bastante difundido por políticos norte-americanos no final do século 19 para justificarem sua independência e seu expansionismo. Mas o que isso tem a ver com o game?

Simples. Em 1872, o pintor John Gast fez uma pintura representando tal pensamento que é a imagem acima. A pintura chama-se “Progresso Americano” e ilustra uma mulher angelical chamada Columbia (hehe) guiando o povo americano para o seu expansionismo. Fora isso a capital do país, Washington D.C tem em sua nomenclatura “District of Columbia” abreviado devido a esse quadro.

Também fica bem fácil entendermos porque além de seu nome a cidade de Columbia possui uma imensa estátua de um anjo dourado, não?

monument island

Religião e Lei de Comstock

anthony comstock

Além da política, temas como religião são bastante abordados. Os Estados Unidos são conhecidos como uma nação bastante conservadora e temos bons exemplos quando há eleições presidenciais e seus candidatos. Hillary Clinton, candidata a presidência em 2008 por exemplo, tinha grande representatividade política pois além de ter sido a primeira-dama em 1994, época em que seu marido Bill Clinton foi presidente, também superou a traição por parte deste e se manteve fiel e casada com ele (os Estados Unidos prezam a família tradicional e quaisquer casos de traição por parte de políticos norte-americanos geram enorme perda de apoio, além de uma brutal escandalização).

Um grande exemplo do conservadorismo norte-americano foi a Lei de Comstock ou o Ato Comstock. Foi uma lei federal apresentada por Anthony Comstock, um fervoroso ativista evangélico que tinha como objetivo combater a pornografia e o aborto no final do século 19 . Comstock conseguiu que seu estatuto fosse aprovado pelo governo, ganhando certos poderes. Agiu como uma espécie de agente fiscalizador dos correios, apreendendo e destruindo qualquer conteúdo que fosse considerado obsceno ou contraceptivo.

Muito provavelmente foi desse fato que se inspiraram para criar Zachary Comstock, líder do Fundadores e profeta da cidade de Columbia. Comstock também controla as informações e propaganda da cidade, avisando seu povo da chegada do Falso Profeta, além de distorcer algumas informações, motivo que faz Daisy Fitzroy se rebelar.

zachary comstock

Papo Furado

É isso aí pessoal, dessa vez tentei dissecar algumas informações de Bioshock Infinite para que o gameplay ficasse mais rico mesmo para quem for jogar pela primeira vez. Deu um pouco de dor de cabeça escrever esse texto porque é complicado falar sobre política de um jeito simples (ainda mais quando você não é muito ligado em alguns assuntos). Espero que não tenho ficado muito chato e que vocês apreciem esse texto pois acredito que até mesmo esclarece algumas questões do jogo. Tinham mais coisas para falar mas achei melhor deixar de fora para que esse texto aqui ficasse livre de spoilers.

Qualquer dúvida, crítica , sugestão ou elogio me deixe saber! É só ir embaixo e deixar um recado nos comentários. Um forte abraço e muito obrigado!

Far Cry 3 : Jason Brody no País das Maravilhas – parte 2.

jasob brody 2

E aí pessoal, beleza? Aqui vai eu falando mais um pouco de Far Cry 3. Como achei que o texto da primeira parte ia ficar enorme se eu colocasse todas as informações de uma vez, resolvi dividir em duas partes sendo essa a última.

Já falei que Far Cry 3 tem referências quanto a obra de Alice no País das Maravilhas das quais coloquei diversas comparações, algumas bem sutis. Nessa segunda e última parte vou falar sobre o que há de mais evidente quanto Alice que são as cenas! Vou falar das seis citações da obra que aparecem no jogo e mais algumas cenas fazendo comparações.

Pra começar temos esse vídeo que tem todas as citações da obra no jogo:

Sem mais enrolação vamos pegar uma a uma dessas citações e apontar a quais partes do jogo elas se referem:

Primeira citação

alice quote far cry3

“Em um instante Alice desceu atrás dele, sem pensar em como faria para sair de novo”.

Essa primeira citação é sobre a parte em que Alice segue o Coelho Branco até a sua toca e entra em outro mundo, bem no começo do livro/filme.

Fazendo um paralelo com Far Cry, Jason não imaginava que um simples passeio em ilhas paradisíacas iria jogá-lo em um mundo totalmente diferente do qual ele estava acostumado. E logo de cara podemos ver algumas semelhanças na cenas inicias do jogo com o filme de Alice:

far cry 3 parachute alice falling

Jason e seus amigos saltando de paraquedas em Rookie Islands e Alice planando (como se estivesse em um paraquedas) dentro da toca do Coelho.

jason in water alice bottle

Jason caindo na água após fugir do acampamento de prisioneiros e prestes a conhecer a tribo Rakyat e também um outro mundo. Alice depois de passar pela porta da toca do Coelho e prestes a conhecer o Dodo e passear por outro mundo.

Segunda citação

alice quote far cry3(2)

“Eu gosto mais da Morsa” disse Alice: “Porque se você ver ela teve um pouco mais de pena das pobres ostras.” “Ele as comeu mais do que o Carpinteiro.” disse Tweedledee.”

Essa passagem na verdade é do segundo livro da obra, Alice Através do Espelho, mas que teve uma cena adaptada no filme de 1951. É sobre uma história que os gêmeos Tweedledee e Tweedledum contam para Alice que se chama “A Morsa e o Carpinteiro” em que esses dois personagens do conto enganam um grupo de ostras para fazerem delas o seu jantar.

                                       morsa e carpinteiro                    hoyt privateers      vaas montenegro

Extremamente fácil fazermos uma alusão com Hoyt e Vaas. Em uma rápida análise Vaas seria o Carpinteiro e Hoyt, a Morsa. Na visão de Alice quanto ao conto ela acha a Morsa mais piedosa, mas segundo Tweedledee é exatamente ela que comeu mais ostras.
Em Far Cry 3 temos Vaas, extremamente impiedoso e sádico para com seus reféns e o povo Rakyat, o que nos faz acreditar por um tempo que ele é o principal vilão do jogo, sendo revelado depois por Dennis que toda a maldade da ilha vem na verdade de Hoyt, pois ele é quem manipula Vaas e controla o comércio de escravos.

Terceira citação

alice quote far cry3(3)

“Oh, você não pode evitar”, disse o Gato: “Somos todos loucos aqui. Eu sou louco, você é louca.”

“Como você sabe que eu sou louca?” disse Alice.

“Você deve ser”, disse o Gato, “ou você não teria vindo aqui”.

Essa parte é quando Alice se encontra com o Gato Risonho. Em Far Cry fala sobre a personalidade de Jason que se transforma cada vez mais ao longo de sua jornada. No começo ele se apavora quando mata o primeiro pirata ao escapar do acampamento. No entanto mais para frente em uma conversa com sua amiga Daisy, Jason fala que no começo achava errado matar mas que agora se sente como um vencedor.
Também temos outra cena em que encontramos o agente Willis Huntley que diz manter a bandeira americana dentro de sua base pois há ordem, sociedade, e fora, na floresta, você se esquece da onde veio e quem você é (infelizmente não consegui pegar a conversa com Daisy em português).

jason and daisy willis speaking

E é claro o discurso mais famoso de todo o jogo:

Quarta citação

alice quote far cry3(4)

“Já adivinhou a charada? disse o Chapeleiro voltando-se de novo para Alice.

“Não, eu desisto,” Alice respondeu: “Qual é a resposta?”

“Eu não tenho a menor ideia” disse o Chapeleiro.

Alice em uma conversa com o Chapeleiro Maluco em sua mesa de chá. Quanto a essa passagem são mais especulações do que afirmações. Acredito que diz respeito ao destino de Jason e seus amigos na trama e o que realmente os Rakyat querem com ele. Podemos especular também quanto ao grande confronto com Vaas pois é realmente difícil entender o que aconteceu.

vaas confronto

Quinta citação

alice quote far cry3(5)

“O que quer dizer com isso?” disse a Lagarta esbravejando. “Explique-se!”

“Eu não consigo me explicar, tenho receio senhor.” disse Alice. “Porque eu não sou eu mesma, entende?”

“Não entendo”, disse a Lagarta.

Alice quando encontra a Lagarta e a mesma lhe enche de perguntas sobre quem e o que Alice é. Mais uma vez temos uma passagem sobre a personalidade de Jason. Em certa parte da história ele já não se reconhece mais, tampouco seus amigos. Ele acaba tendo crises de identidade e começa realmente a se sentir um guerreiro Rakyat, entrando em discussão com sua namorada Liza.

liza speaking

Sexta citação

alice quote far cry3(6)

“Tudo tem uma moral, basta encontrá-la.”

O último trecho que aparece no jogo. Esse trecho podemos encontrar no livro em uma conversa da Duquesa com Alice e essa frase é bastante atribuída também ao autor Lewis Carroll. Em Far Cry o seu significado para com a história é sobre as atitudes que Jason deve tomar para salvar os seus amigos não importando o que ele tenha que fazer (como ser obrigado a torturar o próprio irmão para  poder resgatá-lo depois).

jason riley

Cenas

Por fim, temos mais algumas referências de Alice em outras cenas do jogo:

Jason e os cogumelos

jason cogumelos  alice cogumelos

Em uma certa missão, Dr. Earnhardt pede a você para que pegue alguns cogumelos para preparar um remédio para sua amiga Daisy. Jason entra em uma caverna para pegá-los e começa a sofrer alucinações, com objetos surgindo e desaparecendo. Uma forte referência com a cena em que Alice come pedaços de um cogumelo para mudar de tamanho.

Eat Me!

far cry 3 eat me  alice eat me

Acho que não há muito o que explicar não? Você encontra essas “pílulas” na caverna do Dr. Earnhardt e comê-las vai fazer com que Jason se lembre de alguns acontecimentos que o trouxeram a Rookie Islands.

Acordando do pesadelo

after hoyt queen after alice

Essa cena ocorre após você enfrentar Hoyt. É uma cena extremamente tensa e do ponto de visto crítico uma situação extremamente difícil de Jason ter saído vivo. Após enfrentar Hoyt,  todos os soldados presentes misteriosamente aparecem mortos, como se Jason tivesse acordado de um pesadelo.
É uma cena muito difícil de explicar buscando apenas especulações e comparando com as cenas finais do livro e do filme de 1951, em que Alice é perseguida pela Rainha de Copas e suas cartas em uma situação caótica que acaba envolvendo todos os personagens da obra. Alice acorda e volta para a sua realidade, vendo que toda a sua viagem foi apenas um sonho.

Papo Furado

Bom pessoal esse é o término da minha análise de Far Cry 3 com Alice no País das Maravilhas. Muitas informações são opiniões pessoais baseadas em pesquisas a respeito das obras de Lewis Carroll, o filme da Disney de 1951 e o próprio jogo, é claro. Algumas são comparações evidentes e outras, suposições. Se tiver elogios, críticas e palpites me deixe saber! É só deixar seu recado nos comentários que eu respondo! Um forte abraço e até a próxima!